[quanto ao armário] permaneço, rouxo, sem ar, asfixiado, mantendo preso aqui neste armário escuro com verniz à descascar, teu sabor que sinto quase sempre e tão somente pelo olfato; estou perdido nesse armário velho vagamente iluminado por frestas de luz que entram por entre as dobradiças, e procurando em gavetas e cabides, distinguir qual o teu, qual o meu, qual o nosso paladar; aprecio teu ir apressado e vislumbro teu vir sorrateiro assim como o mar faz às ondas. junto-me ao silêncio para ouvir o meu, o teu, o nosso pulsar e respeito esse batimento.
[quanto aqui dentro] decidi não queimar a casa; fugi à troca dos móveis; rasguei a hipoteca; agora que está tudo em ordem podemos habitar.