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atestado de inexperiência

— faria altas loucuras com você —, disse me observando afastar o corpo. "é hoje que serei estuprado" pensei, externalizando um "que maravilha".
meu pescoço doía do tanto que estava virado para fora na tentativa de me esgueirar e minhas mãos permaneciam sobre minhas coxas, num ato inconsciente de proteger meu sexo.
— qual sua idade?
— vinte.
— novinho. estou voltando da sauna. você já foi em uma? — ele estava interessado. "sim, inclusive foi a coisa mais orgástica que já fiz e inclusive frequento uma todos os dias da semana no mesmo horário e inclusive tenho grandes parceiros lá" foi o que pensei em dizer mas "não, porém tenho vontade" foi o que de fato respondi.
pediu meu telefone e decorou mentalmente a sequência dos nove números alegando estar sem celular para não correr riscos. "em situações de apuros nossa casa não chega nunca", quis compartilhar, mas sabendo que não sou burro nem nada, soltei um "que horas são? umas duas?".
— com qual frequência você transa?
— raramente.
— hum... você tem jeito de ser bem inexperiente... — disse-me. olhei pelo vidro da janela meus olhos que pareciam um letreiro com duas palavras em led vermelho: que porra.
contabilizei em silêncio os amigos, as pessoas nas ruas, as gomas de mascar, os blocos dos três dias de carnaval que haviam passado e novamente exclamei para dentro: "que porra. ninguém nunca havia me dito isto antes?"
ele desceu e fiquei observando pela janela o corpo do desconhecido que me disse, sem peso na consciência, uma verdade que me atormenta e que raramente confesso a mim mesmo.
até hoje meu telefone não tocou.

porém,
inexperiências à parte,
evito sempre atender o celular.
5 são dias: atestado de inexperiência — faria altas loucuras com você —, disse me observando afastar o corpo. "é hoje que serei estuprado" pensei, externalizando um ...
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